Guerra espiritual na mente (parte I)

Amado irmão e amada irmã,

A nossa mente é a base do nosso livre arbítrio. Deus, quando criou a cada um de nós, colocou o livre arbítrio, ou livre escolha. Até mesmo a decisão de aceitar ou não Jesus em nossas vidas como Senhor e Salvador depende de nós, não de Deus. Jesus nos diz, em Marcos 16:16, que a opção de crer ou não crer pertence a nós:

"E disse-lhes: Ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado."

Ou seja, ninguém é forçado a crer em nada. A iniciativa de crer tem que partir de cada ser humano. E assim é também no que se diz respeito a buscar a Deus e ter comunhão com Ele. Somos nós que exercemos o controle sobre nossa mente. Quando Jesus diz novamente os mandamentos de Deus, em Mateus 22:37, Ele especifica como devemos amar a Deus:

"Respondeu-lhe Jesus: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento."

Se não exercêssemos controle sobre nossas mentes, não haveria necessidade de que Jesus especificasse que o amor deve também partir de nossa mente (entendimento). Muitos de nós acham que o controle de nossa mente pertence a Deus no momento em que são feitas novas criaturas (2 Coríntios 5:17) ao aceitarem Jesus. E aqui começam os problemas. Vejamos o que a Palavra nos diz em Romanos 12:2:

"E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus."

No momento em que somos feitos novas criaturas, a recomendação do Espírito Santo de Deus é que renovemos nossas mentes. Isto significa que nossa mente deve estar alinhada com a mente de Cristo:

  • 1 Coríntios 2:16
    "Pois, quem jamais conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? Mas nós temos a mente de Cristo."

Ter a mente de Cristo não significa que tenhamos que parar de exercer o controle sobre nossas mentes, mas que temos que controlar nossas mentes de modo a pensarmos como Jesus pensa. Não é a toa que Paulo afirma que todas as coisas lhe eram lícitas, mas nem todas lhe convinham (1 Coríntios 6:12). Paulo sabia que ele tinha que controlar seu entendimento para não praticar atos que fossem contra o Evangelho e não deixava sua mente à mercê de Deus.

Satanás sabe muito bem que nós somos os responsáveis por exercer controle sobre nossas mentes. Por isto, ele tenta de todas as maneiras nos convencer do que não é lícito perante à Palavra. De que maneira ele faz isto?

Tudo que nós consideramos correto em nossas mentes é o que estamos convencidos a respeito. Se nos convencemos, ou somos convencidos de algo, este algo passa a ser parâmetro do que é lícito para nós. Em outras palavras, se nos convencemos de algo que é errado como se fosse certo, agiremos cometendo tal ato como se ele fosse correto. Citarei um exemplo de como Satanás convenceu alguém a pecar.

  • Gênesis 3:1-6
    "Ora, a serpente era o mais astuto de todos os animais do campo, que o Senhor Deus tinha feito. E esta disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim? Respondeu a mulher à serpente: Do fruto das árvores do jardim podemos comer, mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis, para que não morrais. Disse a serpente ã mulher: Certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que comerdes desse fruto, vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal. Então, vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto, comeu, e deu a seu marido, e ele também comeu."

Deus havia dado ordem a Adão e Eva que não comessem o fruto da árvore que estava no meio do jardim. Obviamente Satanás queria fazer com que esta ordem fosse desobedecida. Então, tratou de convencer Eva de que se ela comesse do fruto, nada aconteceria de mal a ela. Satanás então persuadiu Eva e a convenceu. Finalmente ela comeu o fruto que não deveria, e deu a Adão, que ao ver Eva degustando de tal fruto, também dele comeu.

Satanás não controlou a mente de Adão e de Eva. Tentou até que conseguiu convencer, fazendo com que o homem e a mulher voluntariamente pensassem de maneira errada. Pensaram de maneira errada e pecaram!

Joyce Meyer1 afirma, em seu livro "Campo de Batalha da Mente", que nós somos aquilo que nós pensamos. Em Romanos 8:5-6,9 a Palavra afirma que inclinamos a fazer aquilo que nossa mente pensa:

"Pois os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são segundo o Espírito para as coisas do Espírito. Porque a inclinação da carne é morte; mas a inclinação do Espírito é vida e paz... Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele."

Portanto, podemos definir aqui dois tipos de mente:

  • a mente carnal, ou natural
  • a mente de Cristo

A nossa tarefa é deixar de pensar com a mente carnal e começar a pensar com a mente de Cristo. O versículo 9 de Romanos nos diz que "se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele". O versículo não diz Espírito Santo, mas sim Espírito de Cristo. Pensar com a mente de Cristo constitui uma poderosa arma contra Satanás e seus demônios.

Começar a pensar com a mente de Cristo não é um processo imediato. Esta nova maneira de pensar cresce em nós diariamente, em nossa comunhão com Deus Pai. Ao lermos a Palavra, é importante observarmos como Jesus reagia diante das mais variadas situações. Por exemplo, em Mateus 5:39, Jesus afirma o seguinte:

"Eu, porém, vos digo que não resistais ao homem mau; mas a qualquer que te bater na face direita, oferece-lhe também a outra;"

Jesus não diz para nos humilharmos perante às pessoas, mas para vencer o mal com o bem (Romanos 12:21). Este é o ponto de partida para começarmos a pensar com a mente de Cristo. Jesus também afirma em Lucas 6:45:

"O homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o bem; e o homem mau, do seu mau tesouro tira o mal; pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca."

Basicamente, diante de nossas situações cotidianas, a pergunta que fazemos a nós mesmos será: "Em meu lugar, o que faria Jesus?"

Este princípio nos ajudará na segunda parte desta mensagem, onde estudaremos como o inimigo assalta nossa mente, construindo muralhas ao redor dela, para tentar nos enfraquecer.

A Paz do Senhor a todos!

Ler a parte II desta mensagem

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Bibliografia

1  MEYER, Joyce. Campo de batalha da mente - vencendo a batalha em sua mente. Trad. Serlene Passos. 1.ed. Belo Horizonte: Ministérios Joyce Meyer, 2004. 333 p.

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